sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O QUE DISTINGUE AS PESSOAS UMAS DAS OUTRAS (E DE OUTROS SERES)?

A ciência demonstrou, no últimos anos, por meio do mapeamento de DNA e o sequenciamento de genoma que a espécie humana é menos diferente das outras espécies do que se imaginava. Ao que tudo indica, a composição dos genes no homem é tão complexa quanto em uma mosca da fruta. Diante disso, proponho nos perguntarmos: “Como posso postular que sou um ser distinto e único?”

Numa resposta apressada poderíamos dizer que as características de cada ser é responsável por essa diferenciação. Mas nessa macroanálise, que características estariam sendo levadas em consideração? A forma física? Isso seria muito simplório para nos definir. Exceto se assumirmos que somos simplesmente, individualmete, um corpo –  em cada detalhe – seus membros, seus órgãos, seu peso, sua altura, seu formato, sua cor. Não adianta. De qualquer forma, isso não é o suficiente. Em essência, tudo, ou toda matéria, não passa de um emaranhado de átomos, certo? Uma combinação magnífica desses elementos químicos - eternos e imutáveis, como intuíra Demócrito. É Incrível como um número limitado de elementos pode dar origem a uma infinidade de seres e coisas. Desse modo, até o cérebro humano é “igual”. A propósito, como é possível, a partir dos átomos que compõem meu cérebro, eu sonhar, lembrar, imaginar ou esquecer?  Uma borboleta que hoje voa livremente pode lembrar-se que  um dia já foi larva? É possível? A ciência nos ensinou que somos os únicos seres racionais. Então, a resposta óbvia é não. Mas o resto ela não diz (ou não consegue dizer): a capacidade de lembrar é própria dos átomos que se agruparam para formar o cérebro humano? Não poderia. Um átomo de carbono vai ser sempre um átomo de carbono - em mim ou em qualquer outro ser.  Então, o que é a racionalidade e onde ela reside? no corpo? nos genes? ou na alma? Pelo visto, parece haver algo mais nos distinguindo como seres.

3 comentários:

  1. Ei, gostei da discussão. Vou ficar por dentro do seu blog!

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  2. Você foi a primeira a comentar alguma coisa... =] Parabéns e muito obrigado!

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  3. Questão eterna. Ao menos para nós, seres limitados. Se afirmamos que somos só o corpo, matamos a divindade em nós. Se afirmamos que somos alma eterna, é produto de fé.

    Falando de forma bruta, de nossa personalidade humana, somos apenas um feixe de memórias. Somos o resultado do acúmulo no cérebro de imagens, memórias e experiências que adquirimos em nossa vida. Fora o conhecimento livresco, que é dos outros, adquirido através de leitura. Isto nos diferencia um do outro, visto que cada um teve seu rol de experiências e sua forma de moldar sua percepção de mundo ao redor.

    Nossos pais foram os nossos treinadores. Não lembramos disto, do que percebíamos antes do treinamento. Talvez o que percebessemos antes do treinamento, fosse mais real do que agora percebemos. Observem uma criança, menor de 7 anos, que dizem que é a idade onde a personalidade se forma. Antes do 7, uma criança percebe o mundo como ele é. Pode-se aprender muito com uma criança.

    Mas nossos pais nos treinaram, nos disseram: Olhe, isto não pode. Olhe, isto é real. Olhe, seu amiguinho invisível não existe.

    O nosso eu, o feixe de memórias que somos, que está acumulado nas células cerebrais, este sim acabará no momento da morte, deixará de existir.

    Agora nossos mais elevados pensamentos, intuições e sentimentos, aqueles momentos que vislumbramos o Cosmo e sentimos sua imensidão e nossa pequenez, quando questionamos sua beleza e complexidade e indagamos que que parece haver inteligência nesta obra. Neste momento intuimos um Criador, e nos sentimos parte do Todo. Nos momentos que sentimos Amor verdadeiro pelo nosso semelhante ou um animal em apuros, seres verdadeiramente inocentes, nestes momentos de sublime sentir, acho que aí está nossa Alma, nossa partícula de Deus dentro de nós, além do eu, nossa Consciência. Alguns houvem esta voz, outras a abafam, devido as pressões da existência pela competição e sobrevivência, o egoísmo.

    Esta sublime ternura em nós, que por vezes se manifesta, mais as vezes nos artistas e poetas, ou nos seres mais simples, que vivem no campo, longe da balbúrdia urbana, talvez isto sobreviva a morte e seja o divino imortal em nós.

    Marcelo Araujo (doador@hotmail.com)

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