terça-feira, 9 de agosto de 2011

AMOR DE SI

Em minha busca silenciosa por conhecimento deparei-me com a Filosofia. Não que ela já não tivesse sido apresentada a mim. Mas da forma como tinha sido, eu a ignorei, ou melhor, eu a repudiei, ela e seus assombrosos pensadores. Puro preconceito. Um dia, e não faz muito tempo, por conta própria, encontrei Jostein Gaarder, que me revelou o escopo filosófico. Ele não só me falou da história da filosofia, como também, me convidou a filosofar. Foi, assim, que abri os olhos para a sabedoria que a mesma continha. Estudando autonomamente, descobri nela uma forma muito empolgante de se viver, de enxergar o mundo, de encarar a vida. Apropriei-me de uma liberdade tal que eu não conheci em outros tempo-espaços. Porque isso me fez tão bem, tenciono, desde então, compartilhá-lo com o maior número de pessoas que puder. Mas não me iludo. Sei que aquilo que se agigantou diante de mim, e de certa forma, me transmutou, pode não ter o mesmo efeito nos outros. Chegar à Filosofia era o reflexo de minha procura contínua por saber - não que a Filosofia (ou toda sua produção histórica) seja o saber último das coisas, mas porque é, ela mesma, em suma, a própria busca pela sabedoria última das coisas:  a essência, o Ser.
Um amigo me disse não ver nada de encantador no pensamento filosófico - coisas que eu havia lhe mostrado. Ele também achou um absurdo o meu recente desapego às tradições cristãs. Julgou que eu tinha me tornado um 'fraco'. Encontrado algo em que me apoiar. Rendido ao ego. Que agora, eu era o centro de mim. Naquele momento, eu só respondi, entre risos, que não conhecia ninguém que não fosse o centro de si. Foi pouco. Devia ter lançado a retórica “Qual destes está mais voltado para o próprio ego: aquele que se ocupa em amar a vida e viver, conscientemente, o melhor de sua breve existência, ou, aquele que intenta garantir a transcendência do seu ‘eu’ após a morte?" Tão incônscio do seu fim, este último, deseja, com todas suas forças, uma salvação. Sem perceber que toda essa ideia de 'salvação' emerge da voz altiva de um ego desesperado gritando: Eu quero viver eternamente!

5 comentários:

  1. Muito bom... nada a acrescentar... seu texto causou-me "silêncio interior", o que é um ótimo sinal...rs... neste silêncio, sinto-me mais próximo de Algo...

    Gostaria de lhe perguntar se já assistiu ao filme "O Mundo de Sofia" ? Não lí o livro, então gostaria de saber se o filme é tão bom quando dizem ser o livro.

    Marcelo Araujo
    doador@hotmail.com

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  2. Olá, Marcelo.

    Obrigado pelo comentário.
    Fico muito feliz em saber que meus 'textinhos' causam Algo..rs.

    Olha, quanto ao filme que vc menciona, me indicaram depois de eu
    já ter lido a obra (que é maravilhosa), na verdade, ela é um marco
    para mim, foi por meio dela que o autor, Jostein Gaarder, com maestria,
    me encaminhou pelos recônditos da Filosofia.
    O filme, infelizmente, não vale o tempo gasto parado diante dele.. uma pena...
    (pq quem o vê primeiro, não é motivado a ler a explêndida obra original).

    Abração

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  3. Marcelo de Araújo12 de agosto de 2011 18:26

    Carlos, infelizmente, devido ao fator tempo... serei obrigado a assistir ao filme "O Mundo de Sofia", que já estou baixando na Internet. Talvez um dia, se a Providência me abençoar com mais tempo, eu possa ler a obra que originou o filme...

    Por favor publicar este comentário na resposta de seu post, afim de estimular outros membros do blog a publicar e participar...

    abs...

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  4. vc quem sabe...

    PS: eu não estou dizendo que o filme é inferior a obra literária
    (na minha opinião, a adaptação sempre é inferior), mas que, na verdade,
    trata-se de um trabalho de péssima qualidade
    como obra cinematográfica mesmo.
    Terei de apertar forte a tua mão, em cumprimento,
    se vc conseguir assisti-lo por inteiro.. eu não consegui..rs

    Té mais,
    ALMEIDA, C.

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  5. Parece que a "providência te abençoou" hein.. Vc o leu e se maravilhou, como eu pressupunha.. :-)

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